Termina nesta sexta-feira (14/08), a primeira fase do projeto de escavação arqueológica por alunos e professores da UFRJ no terreno do bairro Vila Leopoldina onde, durante décadas, funcionou o terreiro de candomblé do babalorixá Joãozinho da Goméia. O terreno que pertence ao município poderá se transformar em um Centro Cultural no ano que vem. O secretário de Cultura e Turismo, Jesus Chediak, que visitou o local nesta segunda-feira (10), disse que pretende realizar um concurso para escolha do projeto com a participação de arquitetos dos países africanos de língua portuguesa. A segunda campanha está prevista para os meses de março e agosto do ano que vem. Até lá a área será guardada pela prefeitura parceira do projeto.

Estudante de arqueologia limpa um objeto encontrado a mais de um metro de profundidade. Foto: Rafael Barreto.

Estudante de arqueologia limpa um objeto encontrado a mais de um metro de profundidade. Foto: Rafael Barreto.

Durante o trabalho dos arqueólogos já foram encontrados objetos e utensílios do terreiro como contas, cachimbos, colares e cordões feitos com tecidos, vidros de remédios e perfumes, além de restos de amianto que cobriam o terreiro. O trabalho faz parte da pesquisa de doutorado do arqueólogo Rodrigo Pereira e de alunos de mestrado da UFRJ, e está sendo orientado por professores da coordenação de graduação em arqueologia do Museu Nacional de UFRJ.

“Esse trabalho é muito importante para a cultura do município e o primeiro em um terreiro de candomblé no Brasil”, destacou o secretário de Cultura Jesus Chediak que viu de perto parte dos objetos que já foram encontrados pelos arqueólogos da UFRJ.

O local está sendo visitado por babalorixás e filhos de santos do candomblé. Nesta segunda-feira, esteve no terreno o babalorixá Ivanir dos Santos dos Santos da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa. Para ele o trabalho dos arqueólogos é o resgate da tradição. “Joãozinho da Goméia foi muito importante para o candomblé de Angola”, frisou. Ele acompanhou a descoberta de um “ariaxé”, um centro de força e poder religioso da casa. “Todos os objetos encontrados no terreno, depois de examinados pelos arqueólogos, serão entregues a yalorixá Ceci, herdeira de Joãozinho da Goméia”, disse Ivanir dos Santos.

Já foram descobertos o quarto do caboclo e o piso do salão principal do terreiro que recebeu muitas personalidades e autoridades como Juscelino Kubitschek, Getúlio Vargas, e os cantores Marlene e Dorival Caymmi. Joãozinho da Goméia chegou ao Rio de Janeiro em 1946 e faleceu em 1972.