O Rap e o Hip Hop são famosos por sua imponência, mas algumas pessoas não fazem ideia de quem esteja por trás de suas batidas, mais conhecidas como “beats”. Os “dedos hiperativos” capazes de criar diversos hits pertencem ao Beatmaker: uma espécie de “compositor de ritmo”, que produz e constrói os instrumentais em cima de batidas, contendo ou não os chamados samples (recortes de músicas adicionados em uma outra música). Rappers como Marcelo D2 e Jay Z utilizam a técnica em suas músicas.

Nas picapes: Dree comanda o som de diversas festas pela capital carioca. Foto: Wilmore Oliveira/I Hate Flash.

Nas picapes: Dree comanda o som de diversas festas pela capital carioca. Foto: Wilmore Oliveira/I Hate Flash.

Um dos representantes no meio do cenário do Rap, aqui na Baixada Fluminense, é cria de Austin e atende pelo nome Dree Freitas – tem 20 anos, é cantor, produtor e Beatmaker. Sua história na música começa cedo, por influência do pai que era DJ: “Com 8 anos de idade eu já me divertia mixando umas músicas e tocando em algumas festas com ele até um dia eu me perguntar: ‘Como se faz uma música?’ Comecei a pesquisar sobre o assunto e, por volta dos 10 anos de idade, comecei a produzir musica eletrônica” – Relata Dree.

Em fevereiro deste ano, o trabalho de Dree chegou a um milhão de views na internet.

Aos 13 anos o Beatmaker produziu um MC e aos 15 juntou-se com amigos para formar o atual LaGang Rap anteriormente batizado de Crazy Monkey. A partir de então o mundo das rimas e dos beats começaram a fazer parte da vida de Dree. “Na época, rap ainda era uma coisa bem distante do que é agora e minhas referências nacionais eram ConeCrew, Start Rap, Marcelo D2 e etc… Foi aí que o ‘rap começou’ na minha vida.” – Relembra Dree.

Após ampliar seus conhecimentos na área, vendeu seu primeiro Beat para um rapper de São Paulo, conhecido como CP Filhão. No ano de 2013 produziu um LP com a LaGang Rap, onde além de produzir fez rimas. Em 2015 surgiu um convite para integrar a Ademafia – movimento criado no Rio de Janeiro por Ademar ‘Luquinhas’ com intuito de propagar a Cultura do Skate através de vídeos no Youtube -, onde permanece até hoje.

Dree não nega suas origens fluminenses, embora a maior parte do público ainda esteja focado na Zona Norte e Sul. “Não tenho vergonha de dizer que vim da Baixada, que ainda estou nela e que mesmo com várias contravenções, ainda continuarei por um bom tempo” – declara.

Há na Baixada movimentos importantíssimos que fomentam a cultura e ritmos como hip hop, o trap e rap. Indo na contramão do mainstream, o Beatmaker reconhece a importância desses eventos que fogem às regras. “Temos mentes revolucionárias que fogem desta mesmice e organizam eventos como Caleidoscópio, Beco Festival, TropikallVibez, MusicAção na Pista e a Roda Cultural QDN Rap. Esses movimentos são extremamente importantes para nós, músicos, pois trazem mais cultura, disponibilizam espaços para que possamos mostrar nosso trabalho apresentando coisas novas para pessoas de todas as idades. Isso mantém as pessoas jovens sempre abertas para coisas novas musicalmente”.

"Falaken": no palco, Dree e o grupo Start Rap. Foto: Cauã Csik.

“Falaken”: no palco, Dree e o grupo Start Rap. Foto: Cauã Csik.

É com essa mentalidade que o Produtor, cantor e Beatmaker se mantém na ativa para realizar seus sonhos. Um deles, a parceria com Start Rap, no clipe da música “Falaken“, lançado recentemente.

Quando questionado sobre o que espera com a sua carreira, a resposta veio sem hesitação: “Espero no futuro olhar para traz e estar orgulhoso de tudo que fiz pela minha terra. Poder sentar com meus amigos para conversar e só termos lembranças boas, vitoriosas e de superação. Espero ver todos os artistas da Baixada sendo referências mais tarde e que isso se perpetue por várias e várias gerações”.

Na foto de abertura, Dree é auxiliado pelo pai (no fundo) no Museu de Arte Moderna do Rio, discotecando no Arte Core, uma das primeiras “noitadas” de Dree na noite da capital carioca. Foto: I Hate Flash.