No início de julho, o rapper que leva a Baixada Fluminense no seu nome artístico embarca rumo à capital federal: se trata de Marcão Baixada, que fará seu primeiro show completo solo fora do Rio de Janeiro.

Perde a linha: Marcão faz parte de lineup que conta com nomes nacionalmente conhecidos. Foto: Divulgação.

Perde a linha: Marcão faz parte de lineup que conta com nomes nacionalmente conhecidos. Foto: Divulgação.

A apresentação acontecerá no evento “Perde a Linha”, realizado pelo coletivo homônimo. A festa surgiu em Taguatinga, no ano de 2009, pensando em suprir as necessidades culturais da Região, agregando culturas e ritmos incomuns de vários lugares, sempre valorizando a cultura Black. Recentemente o Perde a Linha recebeu atrações de peso como Heavy Baile, MC Carol, SUGAR CRUSH, Marginal Men e OMULU.

Discurso das ruas da Baixada para o mundo

Esta não é a primeira vez que Marcão sai do Rio de Janeiro – nem do Brasil. Recentemente o rapper esteve em Miami (EUA) com seu grupo #ComboIO, onde foi campeão da Copa do Mundo de hip hop. Marcão também já tocou na França e em São Paulo.

O atual presidente da Lira de Ouro (Caxias) e também mestre de cerimônias Pevirguladez é enfático: “quando um artista se apresenta em outro estado rola além do natural intercâmbio, uma ampliação cada vez maior da sua visão de mundo e realidade social e geográfica. É sempre uma oportunidade maior também de levar seu discurso para outras camadas e públicos”.

Este ano, Marcão foi o embaixador da primeira edição do B_eco Festival, onde fez um show para mais de duas mil pessoas na sua própria região. Foto: Gilberto Dutra.

Este ano, Marcão foi o embaixador da primeira edição do B_eco Festival, onde fez um show para mais de duas mil pessoas na sua própria região. Foto: Gilberto Dutra.

“É uma importância muito grande em questão de visibilidade, ainda mais pra um artista que leva a Baixada no nome; poder divulgar seu trabalho fora do estado e representar suas origens, sua área em outro lugar, isso é ótimo e pode abrir portas para outros MCs e grupos que estão na cena e não têm a devida visibilidade”, explica Inbute Poeta, que é MC e tem seu trabalho com a Baixada Fluminense na raiz. “Muitos têm um som bom e uma mensagem muito boa, mas só tocam em Rodas Culturais por aqui. Existem muitos diamantes escondidos na Baixada. Creio que com esse intercâmbio possa haver mais espaço pra galera daqui”, completa.

Marcão, durante as gravações do EP Geração 90. Foto: Higor Cabral/Pitanga Audiovisual.

Marcão, durante as gravações do EP Geração 90. Foto: Higor Cabral/Pitanga Audiovisual.

Além das parcerias nos palcos da capital carioca e fora dela, Marcão também tem trabalhado nos bastidores para levar sua carreira para o próximo nível. Junto de Bernardo Pauleira (Estúdio Garimpo/Embolacha), DJ Babao e Aori Sauthon (ambos da Brutal Crew), o artista se prepara para lançar o EP #Geração90 que sairá ainda este ano. Sua música “BangBang” se tornou um EP com quatro remixes de artistas de todo o país. Marcão também tem sido personagem de diversas reportagens em veículos de circulação nacional e participado de músicas junto de seus amigos do meio – a mais recente foi o remix de “Swinga“, de Nyl MC.

Mesmo com seu passaporte carimbado para o mercado mainstream, Marcão continua mantendo suas raízes na Baixada Fluminense. No início do ano foi embaixador do B_eco Festival e foi fundamental na festa BangBang, “a festa do Marcão”, como ele mesmo explica. O rapper também está com data confirmada na Roda Cultural da Praça do Skate – evento totalmente gratuito, realizado por militantes do rap em São João de Meriti. “Tocar na minha área, no meu quinta, só reforça o compromisso que nós artistas devemos ter com a nossa região. A cada dia tem mais gente curtindo rap e frequentando as rodas, então essa galera precisa ver quem é que faz a cena acontecer a apoia a cultura de rua”, explica Marcão Baixada.

SERVIÇO
Perde a Linha nas Férias
8/7 à partir das 22h
Com Marcão Baixada, Neguim Beats, Mari Perrelli, MOFX
Club 904 – ASCEB – 904 Sul, Brasília