Na próxima segunda-feira (14/04), acontece o Weboteco – encontro de startups e empreendedores digitais da Baixada Fluminense. O evento contará com a palestra “Captação de recursos para projetos”, com Juliana Estrella, consultora do Sebrae especializada em negócios sociais e empreendedorismo em áreas com baixo acesso à cultura empreendedora.

Juliana Estrella é Graduada em Administração e Mestre em Ciência Política pela UFMG. Foto: Divulgação.

Juliana Estrella é Graduada em Administração e Mestre em Ciência Política pela UFMG. Foto: Divulgação.

Estrella concedeu uma entrevista exclusiva para o Site da Baixada, onde abordou temas relevantes para a realidade da região. Acompanhe:

Site da Baixada – Como o empreendedorismo pode influenciar a realidade da Baixada Fluminense?

Juliana Estrella – O empreendedorismo pode trazer muitas oportunidades de desenvolvimento à economia da Baixada. Uma vez que se instalam empresas de médio e grande porte na Baixada, essas empresas necessitam de fornecedores aos seus negócios. O estímulo ao empreendedorismo permite o surgimento de um conjunto de micro e pequenas empresas e de empreendedores individuais na região, que poderão ser fornecedores das médias e grandes empresas, fornecedores entre si, e fornecedores da população local, que hoje necessita se deslocar do seu território para obter serviços e produtos que não encontra na Baixada.

SB – Qualquer pessoa pode ter acesso à cultura empreendedora?

JE – Sim. Na realidade, o acesso à cultura empreendedora deveria começar na escola, nos primeiros anos da criança na atividade escolar. Algumas escolas já fazem isso e é importante para despertar o interesse das crianças por criar, inovar e empreender, além de dar auto confiança para arriscar outros caminhos para gerar renda e trabalho. Hoje, o Sebrae é o maior disseminador da cultura empreendedora entre os micro e pequenos empresários adultos, mas existem outras instituições tais como a Endeavor e a Junior Achievement que trabalham o estímulo ao empreendedorismo e a cultura empreendedora.

O processo de estimulo e desenvolvimento do empreendedorismo possibilita tanto melhores condições econômicas para a Baixada, com a geração de trabalho, empregos e renda, assim como melhor qualidade de vida, fixando o empreendedor local no seu território, evitando que ele necessite fazer grandes deslocamentos diários e possibilitando que profissionais criativos e dinâmicos sejam donos de suas próprias carreiras e de seus próprios empreendimentos, realizando as atividades que mais gostam na vida e trabalhando com prazer.

SB – Sobre educação financeira, porque isso não é um tema comum nas escolas?

JE – Nós não temos uma cultura muito forte de discutir o orçamento familiar em casa e convidar os filhos a participarem das discussões de gastos em família e de como investir as economias conjuntamente, como ocorre mais frequentemente em outros países. Todavia, o tema da educação financeira vem crescendo fortemente no Brasil, em especial o desenvolvimento de uma política de educação financeira para as escolas públicas. A iniciativa mais desenvolvida nesse sentido é da ENEF (Estratégia Nacional de Educação Financeira), instituída em 2010 pelo Governo Federal e coordenada pelo Comitê Nacional de Educação Financeira (CONEF).

SB – O cartão de crédito pode ser aliado do pequeno empreendedor? Como?

JE – O cartão de crédito pode ser aliado do pequeno empreendedor em 2 situações distintas e complementares. De um lado, ao se credenciar para receber por cartão de pagamentos (crédito e/ou débito), o empreendedor aumenta o seu o seu faturamento, pois a maioria dos consumidores atualmente privilegia o uso do plástico ao uso do papel moeda, uma vez que o cartão traz segurança e praticidade, além de proporcionar ao consumidor um tempo maior para pagar suas contas, “esticando”seu orçamento.

Por outro lado, quando o empreendedor faz um cartão de crédito para o seu empreendimento, isso permite que ele realize as compras relativas ao empreendimento (ex. papelaria, insumos, viagens, etc) com o cartão de crédito e/ou débito. Além da vantagem mais conhecida, que é ter prazo de pagamento, quando adotado o cartão de crédito, há também uma vantagem administrativo-contábil, que é o extrato mensal do cartão de crédito com os registros das compras e o registro no extrato bancário das compras realizadas com o cartão de débito. Isso facilita o registro dos controles financeiros do empreendimento, que nem sempre são realizados quando as compras ocorrem em papel moeda ou em cheque.

SB – Sobre as startups, que precisam crescer muito rápido: como a gestão financeira pode ser diferencial na hora de apresentar o negócio a investidores?

JE – Os controles financeiros são fundamentais a qualquer negócio que pretenda se desenvolver e expandir. Se o empreendedor não sabe o quanto gasta no seu dia-a-dia, em que itens está gastando e quando precisa desembolsar dinheiro do seu caixa para cobrir despesas, o risco de quebrar o negócio é enorme, ainda que esse empreendedor seja altamente dinâmico, criativo e vendedor. Aliás, excelentes empreendedores, no sentido de capacidade de crescimento rápido, inovação e vendas aceleradas, sem gestores que controlem as contas de seus empreendimentos, estão quase fadados a perder um pequeno grande negócio, pois o empreendimento “quebra” ainda mais rápido, antes mesmo de se tornar “objeto de desejo” de um investidor.

Portanto, a sugestão para pequenos empreendimentos e startups que desejam acessar investidores é ter suas contas organizadas e sua contabilidade muito transparente, até para que o empreendedor saiba o real valor de seu empreendimento no momento de negociar com o investidor. De qualquer maneira, um investidor profissional vai solicitar uma auditoria nas contas da startup que deseja receber investimento.