Dentre todas as tarefas que mulheres executam com louvor, empreender é uma das opções cada vez mais procuradas por elas. Não é  à toa que o mundo dos negócios já conta com  mais de 7,3 milhões de mulheres empreendedoras.  O que representa 31,1% do total de 23,5 milhões de empreendedores que empregam no país, segundo dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).  Num outro estudo, realizado também pelo Sebrae, em 2016 o número de mulheres donas do próprio negócio aumentou em 21%, ultrapassando mais que o dobro do crescimento verificado entre os homens.

Na Baixada Fluminense temos alguns exemplos, como é o caso da web designer Lilian Cláudia, 34 anos, dona da Prograph. Ela resolveu ainda na faculdade montar seu próprio negócio. “O bom de ser dona do próprio negócio é ser dona da própria vida, porém, muitas vezes é ficar sem dinheiro, trabalhar mais do que 8 horas por dia, trabalhar sábado e domingo, e não ter férias. Mesmo você tirando férias, pode ser que surja algum imprevisto. Afinal, nessa área imprevisto anda junto com seu negócio” conta. Apesar de tudo isso, Cláudia não se arrepende do negócio.

Um dos fatores principais para ela começar a empreender, além do desejo de ser dona da própria rotina, foi o de estar mais perto da família, que é uma realidade que tende a ser comum. Segundo estudo feito pelo Fórum das Mulheres, no ano passado, numa amostragem de 1376 mulheres, 75% decidiram abrir o próprio negócio após a maternidade. Na classe C, a porcentagem aumenta para 83%. “Ficar perto dos filhos e poder dar mais atenção é com certeza um dos fatores que me fizeram trabalhar em casa, o que não significa que eu trabalhe menos. É trabalho dobrado”, enfatiza.

Já a jornalista Tássia Di Carvalho, 31,  após anos trabalhando com jornalismo e ter ficado desempregada, decidiu que era hora de montar sua própria agência de comunicação: a  Agência Is, que  é voltada para temas sociais e de direitos humanos. “Já fiquei noites inteiras sem dormir trabalhando, mas aos poucos vejo resultado e fico muito feliz com a satisfação dos clientes. Consegui comprar coisas que até então era sonho, além de conseguir até viajar”, comemora. No caso dela, o que mais a motivou a abrir sua empresa foi ter autonomia para escrever sobre assuntos nos quais ela acredita e gosta. “Antes de começar a assessorar projetos eu me preparei. Fiz cursos e mais cursos para chegar onde estou, e pretendo continuar estudando”, entrega o segredo do sucesso.

Em entrevista ao Globo, a analista da Sebrae Raquel Abrantes explica que a autoconfiança é  ponto crucial do empreendedorismo feminino. “Elas sabem o que querem, e pensam com cuidado antes de fazer qualquer coisa. Conseguem traçar metas e criar em pequenas proporções até onde podem ir. Muitas estão batalhando pela qualidade de vida, vivem outra função a não ser casa e filho”, afirma.