O município de Queimados se prepara para ser o primeiro da região e terceiro do estado a oferecer atendimento gratuito nestes moldes para os autistas. Há 3 meses, a prefeitura contratou um médico geneticista para atuar com diagnósticos precisos em casos de doenças raras, entre elas o autismo.

Prefeitura de Queimados pretende implantar até o fim do ano primeira clínica-escola pública da Baixada. Foto: Divulgação.

Prefeitura de Queimados pretende implantar até o fim do ano primeira clínica-escola pública da Baixada. Foto: Divulgação.

Desde novembro do ano passado, a cada primeira quarta-feira do mês, os responsáveis dos autistas se encontram com profissionais da saúde nas dependências do Centro de Tratamento para a Hipertensão e Diabetes (Cethid) para expor suas dificuldades. Hoje, já são 50, mas na primeira reunião eram apenas seis.

Justamente por isso, a prefeitura escolheu a data de 6 de abril (primeira quarta-feira) para comemorar o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, celebrado em 2/4. Ao invés da tradicional reunião mensal, neste dia, as mães irão participar de uma caminhada que será realizada às 9h, na Praça Nossa Senhora da Conceição, no Centro. O evento contará com a presença de moradores, autoridades e famílias de autistas.

De acordo com a secretária de Saúde, Dra Fátima Sanches, existem no município cerca de 2 mil famílias que têm pelo menos um autista dentro de casa. “Recebi em meu gabinete uma mãe e fiquei muito afetada, passei 24h sem conseguir dormir direito. Eu só queria fazer alguma coisa que pudesse dar mais conforto e condições para avançar nos cuidados e tratamento dos seus filhos. Conseguimos contratar um geneticista e agora estamos na luta para implantar a primeira clínica-escola da Baixada”, ressalta.

Uma das maiores barreiras no tratamento do autismo está na dificuldade do fechamento do diagnóstico. Para acabar com esse obstáculo, a prefeitura contratou o médico geneticista, Dr. João Gabriel. No Brasil, apenas 200 geneticistas atuam na investigação dos casos, ou seja, existe apenas um profissional para cada 1 milhão de habitantes. Com a chegada do médico, já houve evolução significativa no comportamento de crianças autistas. “Meu neto conseguiu dormir uma noite inteira pela primeira vez desde que ele nasceu. Ele sempre passava as noites andando pela casa e batendo com a cabeça”, recorda a Assistente Social Marcia Cunha, avó do menino Sérgio Henrique dos Santos, de 21 anos.